sábado, 24 de janeiro de 2009

Mudança Radical. Estagnação Concluída.

2008. Ano extremamente produtivo. Sinal disso? Há bolor por todo este blogue. Demasiado. Talvez pelo pouco trabalho que por aqui se fez. Talvez pelos ilustres ilustrados na minha ultima intervenção se manterem em exibição meses a fio. É. É forçoso arejar. Lavar a cara era mais que uma necessidade. Era uma obrigação. Daí todo um novo aparato neste espaço. Ainda mais fantástico. É. Afinal era possível…

Sou preguiçoso. Já o tinha dito, em tempos. Mas dá trabalho escolher uma outra característica em mim. Mais difícil seria encontrar algo razoavelmente negativo na complexa imensidão de magnificência que é a minha existência. Algo que demonstre a minha humildade no meio de tantas características fantásticas a meu respeito, vá… É de facto complicado. Quase tão complicado como andar pelos passeios deste país.

Não. Não vou reclamar da calçada portuguesa. Dos buracos. Dos presentes caninos. Da enorme inclinação em determinados locais. Da humidade, que aliada à inclinação, cria momentos dignos de júri com raquetes de ping-pong numeradas de 1 a 10. Não. Não me interessa nada disso. A calçada tem personalidade. Não ando de salto agulha. Evito a porcaria. E, com o meu espírito crítico, a única alternativa possível era ser eu com as raquetes…

O que de facto incomoda são os irritantes transeuntes.

Estorvadores profissionais, semi-profissionais ou amadores. Por opção, Dádiva de Deus, ou pura imbecilidade. Estes viventes conseguem sempre tomar as atitudes mais imbecis.
Quando andam sozinhos optam pela circulação irregular. Nunca sabemos o que vão fazer a seguir. Só sabemos que temos alta probabilidade de ser forçados a espalmarmo-nos contra a parede. Ou a ter de descer do passeio à última hora para não sermos atingidos. Afinal, se é para ser atropelado que seja com dignidade...

Ainda assim, é em grupo que estas criaturas atingem o auge das suas capacidades de estorvo. Andam lado a lado. Devagar. Muito devagar. Paciência requerida. Tempo requerido. Pedir licença? Perigoso! Pouco eficaz. A atitude esperada é que todos parem. Olham para trás. Por vezes é difícil evitar o choque. O riso é o passo seguinte. Mas piora. Custa decidirem quem nos dará passagem. É recorrente termos de escolher por onde queremos passar e forçar minimamente a passagem. Há também quem nos ignore por se encontrar numa conversa importantíssima.

Podia encravar a vida do caro leitor e permanecer numa análise exaustiva destes seres irritantes. Pude. Mas prefiro que estejam atentos. Meditemos. Estorvador ou estorvado? Vale a pena pensar nisto. Mas só numa altura em que nao estorve. Claro.



É verdade. 2009: Nova cara, a mesma porcaria de sempre. Mas mais do que duas vezes por ano. Óptimo.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quem Quer Viajar [não] Ponha O Braço No Ar

Por vezes divago. Por vezes penso como seria se, um dia, o elefante azul voltasse para a sua manada de elefantes coloridos e fossem todos abatidos por ninjas homofóbicos. Ninjas munidos de papel celofane e dedos em riste prontos a raspar essa substância com o intuito de criar um efeito devastador sobre as pobres criaturas. E sobre os elefantes.


Com certeza o mesmo se passa convosco. Ou talvez não. Mas com certeza abominam papel celofane. E as pontas dos dedos dos ninjas. Ou torturas pouco virís executadas por ninjas extremistas. Mas pouco.


Por vezes penso como seria bom que esses ninjas deixassem os elefantes em paz. Como seria bom se se preocupassem com verdadeiras ameaças. Se tratassem da saúde a aldeões extremistas que viajam de intercidades.


Viagens de intercidades. Só por si já contem carga dramática. Aldeões extremistas. Ameaças reais. Peculiares. Estão sempre lá. E fazem-se notar. Muito. Demasiado. O seu principal ódio? O mundo que os rodeia. Quando tudo parece estranhamente saudável aparecem. A sua arma? Celofane? Nunca. Desodorizante? Menos.


Estes viventes deixam a sua marca profundamente cravada. Se resistimos ao factor surpresa passam ao ataque.


Primeiro preguiçosos movimentos. Quem vê à distância não tem possibilidades de compreender a profundidade da verdadeira ameaça que representam. Tudo porque para não os compreender tem de se encontrar realmente distante.


Depois, se se depararem um herói combativo ao seu lado, terão de puxar pela imaginação. Ou pelo que quer que seja que os move e os faz ter aquele tenebroso comportamento sequencial. Puxam por tudo. Menos pelo desodorizante.


Sim, a ideia de um aldeão repugnante a puxar por tudo não foi bem conseguida. Perdão. Não volta a acontecer.


Têm a súbita necessidade de verificar algo no seu alforge. De o colocar no compartimento sobre o assento. Levantando os braços. Sentam-se. Esquecem algo. Levantam-se. Levantam os braços. Voltam a colocar a mala. Levantam os braços. Sentam-se. Vem o revisor. Onde está o bilhete? Levantam-se. Levantam os braços. Relatos há de que a situação prossegue. Adensa-se. Quem tentou ir mais além não consegue andar de comboio até hoje. Quem tem um tento de juízo abandona as imediações na hora certa. Quem é experiente reconhece o perigo e ruma ao bar antes de ser encurralado. Quem é impulsivo reage imediatamente com ódio, adverte e bate em retirada. Ou no aldeão. Quem é imaginativo?

Bom, quem é imaginativo ainda está a pensar na ideia do aldeão a puxar por tudo…

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Peixinho? Sim, prefiro carne

Rezava a lenda que outrora, por detrás de uma imensidão de pó, entulho, insectos e preguiça se escondia um estore. Um estore para lá do qual tudo acontecia. Um estore que tudo via. Um estore. A minha posição perante tudo isso? Não sei. Sou alérgico a pó. Não gosto de insectos. Tenho preguiça de mover o entulho. Mas aqui há um estore. Malditas lendas… Querem complicar o que à partida é fácil. Como os homens num “jantar de negócios”.

Local? Um banal restaurante perto de si. E muitos outros fora de mão. E tasquinhas. Ou caves. Até mesmo casas de pasto. Ou mandamos mesmo pastar o sítio concreto e passamos ao que interessa.

Tentei ultrapassar a fase da divagação. Não esta fácil.

Momento chave? Difícil escolher. A parte inicial é sempre espantosa. Chegam todos dando dois passos. Param. Olham para trás para o resto do grupo. Fingem rir de uma piada que algum deve ter mandado. Gente espirituosa os empresários de convívio. Dá-se então um primeiro momento de rara espectacularidade. Majestosa estupidez. Claro está, falo da discussão entre todos sobre a mesa a escolher em que nenhum está a ouvir o que o outro diz o empregado desiste de indicar o local apropriado pondo as mãos atrás das costas com os três menus indicados para as nove pessoas até que um destes sujeitos toma a iniciativa de se sentar numa mesa grande. Assim mesmo. Com toda esta confusão. Sem marcas de pontuação. Mas muitas vezes com sinais de “reservado”. Mas não para eles. Pouca sorte. Mas não para eles.

Próximo passo? Todos depositam o casaco nas costas das cadeiras, esticam efusivamente os braços num movimento tipicamente parolo de “vou ver o relógio mesmo que nem vá olhar para os ponteiros” com os dois braços ao mesmo tempo. Vendo que o movimento não surtiu o efeito desejado uns tomam a iniciativa de o repetir, outros, mais modestos, preferem apenas puxar as mangas da camisa para trás ou esfregar efusivamente as mãos. Desconheço a origem do movimento. Ou o seu objectivo. Mas a aceitação do mesmo é geral. Arrancam um pedaço de um pão. Depositam o restante no cesto comum. Levantam-se para lavar as mãos. Dispensa comentários.

Ponto-chave? A escolha do manjar. O mais extrovertido do grupo revela-se nesta fase. Atenção! Este é o responsável por despoletar todo um certame em torno do conteúdo dos escassos menus face a tanta procura. Também pelas risadas mais despropositadas. Pelas piadas mais infelizes. E por tocar em todos os assuntos que os outros gostariam de debater mas pelos quais não querem dar a cara. As derrotas do Benfica. Enfim. Profere então a questão demolidora: “Peixinho?”

Tudo está perdido. Nos próximos minutos irão passar do peixe à carne, da carne ao marisco, voltando mais tarde à carne, mas preferindo chamar o empregado para saber quais as suas sugestões. Sugestões prontamente aceites num clima de “O que é que ele sugeriu? Que é que isso interessa? Se ele diz que é bom eu quero! E este pãozinho? alguém quer mais? Manda vir mais pão, Pão nunca é demais!” Mas imediatamente esquecidas. Eles querem é “ver que peixinho tem p’raí”. O empregado vai certificar-se. Enquanto este não volta? Preferem carne. Tudo termina em bem quando se pede uma dose de cada tipo. Ou quando todos optam pelo mais reles bife grelhado. O vinho? Tão mau ou pior. Aqui, para além da indecisão, enfrentamos os egos dos pseudo conhecedores numa contenda sem tréguas. Ou real conhecimento, em muitos casos. O empregado mais uma vez é chamado a intervir só para ter trabalho. A sua opinião é sempre aceite. Mas imediatamente trocada por outra.

Jantares de negócios? Não é o meu estilo. Devo, por isso, rever o meu futuro? O que recomenda? Pois... Mas e que outras hipóteses tenho? Consegue dizer-me? Sei. Estava a falar de…?