Quem Quer Viajar [não] Ponha O Braço No Ar
Por vezes divago. Por vezes penso como seria se, um dia, o elefante azul voltasse para a sua manada de elefantes coloridos e fossem todos abatidos por ninjas homofóbicos. Ninjas munidos de papel celofane e dedos em riste prontos a raspar essa substância com o intuito de criar um efeito devastador sobre as pobres criaturas. E sobre os elefantes.
Com certeza o mesmo se passa convosco. Ou talvez não. Mas com certeza abominam papel celofane. E as pontas dos dedos dos ninjas. Ou torturas pouco virís executadas por ninjas extremistas. Mas pouco.
Por vezes penso como seria bom que esses ninjas deixassem os elefantes em paz. Como seria bom se se preocupassem com verdadeiras ameaças. Se tratassem da saúde a aldeões extremistas que viajam de intercidades.
Viagens de intercidades. Só por si já contem carga dramática. Aldeões extremistas. Ameaças reais. Peculiares. Estão sempre lá. E fazem-se notar. Muito. Demasiado. O seu principal ódio? O mundo que os rodeia. Quando tudo parece estranhamente saudável aparecem. A sua arma? Celofane? Nunca. Desodorizante? Menos.
Estes viventes deixam a sua marca profundamente cravada. Se resistimos ao factor surpresa passam ao ataque.
Primeiro preguiçosos movimentos. Quem vê à distância não tem possibilidades de compreender a profundidade da verdadeira ameaça que representam. Tudo porque para não os compreender tem de se encontrar realmente distante.
Depois, se se depararem um herói combativo ao seu lado, terão de puxar pela imaginação. Ou pelo que quer que seja que os move e os faz ter aquele tenebroso comportamento sequencial. Puxam por tudo. Menos pelo desodorizante.
Sim, a ideia de um aldeão repugnante a puxar por tudo não foi bem conseguida. Perdão. Não volta a acontecer.
Têm a súbita necessidade de verificar algo no seu alforge. De o colocar no compartimento sobre o assento. Levantando os braços. Sentam-se. Esquecem algo. Levantam-se. Levantam os braços. Voltam a colocar a mala. Levantam os braços. Sentam-se. Vem o revisor. Onde está o bilhete? Levantam-se. Levantam os braços. Relatos há de que a situação prossegue. Adensa-se. Quem tentou ir mais além não consegue andar de comboio até hoje. Quem tem um tento de juízo abandona as imediações na hora certa. Quem é experiente reconhece o perigo e ruma ao bar antes de ser encurralado. Quem é impulsivo reage imediatamente com ódio, adverte e bate em retirada. Ou no aldeão. Quem é imaginativo?
Bom, quem é imaginativo ainda está a pensar na ideia do aldeão a puxar por tudo…
