segunda-feira, 30 de julho de 2007

A borracha nas salsichas

Sou selectivo. Talvez por isso a primeira frase, onde por norma me auto caracterizo, tenha demorado tanto a ser elaborada. Talvez. Ou provavelmente foi fruto do cansaço. Se calhar não sou selectivo. Ou então selecciono não pensar mais na possível questão da minha selectividade. E paro. É, sou selectivo. Percorro um caminho de dúbias certezas que me levam e escrever coisas deste quilate artístico impregnado de figuras de estilo e sem qualquer marca de pontuação. Ou então recorro a roulotes de cachorros.

Sem falar do problema que enfrento com frases que se iniciem por ou. Ou de introduções patéticas.

Pergunto eu: O que fazer contra os efeitos da fome às 6 da manhã após uma noite de saudável e animada folia? Comer era uma hipótese. Recorrer a roulotes de cachorros também dá.

Eu, como pessoa selectiva que sou, não tomo a opção mais óbvia e desvalorizada! Conto os trocos antes de partir para a roulote.

Facto de enaltecer é a estratégia de reinserção de jovens assustadores na sociedade. Facto reprovável é fazê-lo em roulotes do submundo. No fundo, nem estão a ser reinseridos na sociedade. Mas o pior é quando damos por isso às 6 da manhã. Com fome. Cansados. Contando os trocos. Eles observando o nosso comportamento estranho antes de estabelecermos contacto. Ainda com os ouvidos a funcionar mal. Agora com os olhos bem abertos após o choque com aquela cara feia.

De olhos bem abertos me encontrava quando subitamente os semicerrei. Uma luva de borracha? Deveras! Volto a abrir os olhos de espanto. Uma luva de borracha na mão do jovem assustador que me está a preparar um cachorro que desconheço estar dentro do prazo de validade embora isso nao me afecte ja que estou mesmo com fome? Pois concerteza! Mais uma frase sem marcas de pontuação? É meu apanágio! E a palavra apanágio? Aprendi com anos de comentários por banda de Gabriel Alves.

Será este novo e passageiro facto uma nota importante na evolução da higiene das roulotes? Ou nas vendas de luvas de borracha? Determinante para que estas roulotes passem a integrar o grupo da alimentação? Nem por isso.

A higiene, essa, fica-se pelo momento em que a luva sai da caixa. A partir daí ficará posta até ao final da noite. Apenas a mão com luva toca no cachorro! E no rádio. E no dinheiro. E no nariz. E no balcão. E no suor da testa. Não que se trabalhe muito. Mas apanhar com bafo de cachorro e com luzes de halogéneo faz suar. Diz que sim.

Por isto, saúdo a entrada da luva de borracha no negócio das salsichas! Mas em quantidades. Sou selectivo. Prefiro a higiene, vá lá.

sábado, 30 de junho de 2007

Comunidade espaçosa. Comunidade Edificante.

Prezo o meu espaço. Se tal não se passasse não teria o meu próprio blog. Ainda assim, vou tentar, desta vez, ser mais sucinto na introdução. Por vezes chego a divagar neste momento inicial. Normalmente em torno de nada. Considero isso realmente interessante. Leva-me a questionar a habilidade do meu raciocínio. Para além do facto de haver, de facto, pessoas que leiam a introdução na sua íntegra, pois claro. Se calhar, só da primeira vez o fizeram. Se calhar. Com sorte, leram também da segunda vez. Mas mesmo com sorte. Mais do que isso? Duvido. Menos? Mais que provável. No final de tudo isto constato que tenho um raciocínio habilidoso. Apuro agora que cumpri o objectivo. Que prezei o meu espaço. Mas a introdução alongou-se… tal como as toalhas de veraneantes agrestes.

Grau de irritabilidade? Elevado. Mas podemos sempre combatê-lo com protector solar. E pomadas. Por outro lado, não há pomadas que salvem o mundo de veraneantes rudes, que estendem as suas toalhas para cima das nossas. É minimamente compreensível que tal aconteça. As pomadas são de aplicação tópica. E ninguém lhes quer tocar. Ora podemos, de bom grado, permitir que sobreponham as suas toalhas às nossas. Mas se estes pertencerem ao nosso grupo de amigos. Aos amigos chegados. Aos amigos rudes. Mas aos amigos. De resto? De resto penso que não. Mas eu prezo o meu espaço, atenção.

Não encontro uma explicação plausível para que determinados viventes irritantes, que viajam em grandes manadas, criando uma atmosfera de “Ena pá vamos fazer a verdadeira farra e olha, olha, não se esqueçam de emitir barulho acima do nível médio das obras nas estradas, com conversas que girem sobre temáticas do foro pessoal e onde o seu maior esplendor será atingido quando eu disser qualquer coisa sem importância, mas mesmo dramática ou engraçada e, claro, mesmo alto, ou ali o Tojó pegar numa rapariga qualquer e a levar à força para a água, mesmo ela querendo, mas berrando como se a levassem para o matadouro! Ah e olha! Estão ali humildes estranhos. Vamos juntar-nos a eles!” tomem esta atitude tão típica. Mas deve fazer parte do espírito comunitário. Edificante.

E o que eu gostava que os levassem para o matadouro…

No entanto tal não é possível. As criaturas que vivem neste tipo de espírito, ou noutro qualquer com o mesmo nível fazem parte do nosso quotidiano. É aborrecido? Sem margem para dúvidas. Comunitário? Parece que sim. Edificante? Tenho uma vaga ideia que nao.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Um momento de brutalidade irreversivelmente imaginativa

Há algum tempo que o estore estava fechado. O pó nele acumulado fez-me tossir e respirar com dificuldade por momentos. Pó. Odeio. Abri-o. O sol brilhou de novo. É verdadeiramente admirável… não paro de tossir…

Sou incrivelmente imaginativo. Se não o fosse, nunca pensaria em tal atributo para a minha pessoa. Se não o fosse, nunca conseguiria dizer tamanha graçola. Se não o fosse, nunca teria possibilidades de proferir tamanha parvoíce em três palavras. Se não o fosse, seria impossível dizer a mesma coisa, sem qualquer interesse ou relevância histórica, de três maneiras ridículas. Na verdade, penso frequentemente em como acabar com certas e determinadas coisas irritantes de forma brutal, momentânea, irreversível e, claro, imaginativa.

Aqui está.

Acabar com aquela introdução desprovida de qualquer sentido colmatou uma necessidade que sentia. Acabei com ela. Brutal. Momentâneo. Irreversível. Imaginativo? Nem por isso…
Toda esta palhaçada tem uma finalidade. Passo a citar que ainda não a descobri. Tal como ainda não descobri o porquê das casas geminadas.

Vamos na rua.

Hoje? Um terreno vazio. Amanhã? Duas casas. Foleiras. Simétricas. Coladas. Depois? As mesmas casas com o mesmo mau gosto e na mesma com aquela irritante simetria. Mas mais velhas. Tal como a placa de “vende-se”. Num futuro mais distante ainda? Já construíram uma estrada nova. Não preciso de passar naquela. Mas um terreno estará a espera. Do céu irão dizer “Parabéns! Está grávido de gémeos! E com a qualidade da estrutura óssea dos seus rebentos, serão abrigo a gente rude com crianças que guincham. Muito. Ninguém as educa.”

Imagino o fim da fertilização in-vitro em terrenos dominados por construtores civis calvos, de óculos fumados, ultrapassados, de calças cinza que nada querem ter que ver com os sapatos, deixando espaço à visualização da meia. Não esquecendo os suspensórios. O lenço de assoar a ranheta e cuspir o verdete puxado lá do fundo. Ruidosamente. O capacete de verdadeiro líder cumpridor das normas da construção? Consta do modelito. Mas na mão, pois claro.
Propor um referendo? Hmmm… Não me parece. Terminar com esta fantochada de forma brutal, momentânea, irreversível e, claro, imaginativa?

Muito mais apelativo…

Venham daí casas a sério. Com personalidade. Imaginação.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Na aldeia. Sem discussão.

Questiono-me frequentemente sobre o motivo de certas e determinadas atitudes que o espécime humano toma. Algumas vezes chego a encontrar respostas. Ainda assim, giram sempre em torno de um eixo inequívoco. Estupidez. Ou talvez parvoíce. Ou mesmo imbecilidade. Provavelmente não giram apenas em torno de um único eixo. Afinal esse eixo, se é realmente só e apenas um, não está assim tão inequivocamente definido. Voltamos à questão da minha fase mentirosa. E das divagações em torno de nada. Das minhas introduções, vá lá. Ah! E das varandas das aldeias portuguesas.

Há certas características que identificam quase de imediato uma típica varanda de aldeia em território nacional. O facto de lá serem depositados restos num recipiente com a finalidade de alimentar os animais. O facto de lá serem, também, depositados os caixotes, com aquela horrível publicidade da ração, que só mesmo os típicos aldeões conseguem encontrar no fim do mundo, para que também os cães e gatos degustem as suas refeições diárias. O facto destas varandas possuírem o sonho de se tornarem em abafados, foleiros e gordurosos alpendres. E o facto de possuírem inúmeros vasos de estilos, cores e materiais diferentes, com plantas malcheirosas, secas e, sendo simpático, repugnantes. E há sempre salsa.

Não sou, de forma alguma, contra a identidade nacional. Não. Não sou, sem sombra de dúvidas, um membro orgulhoso das varandas das aldeias que nos identificam. Não mesmo. Não sou, fundamentalmente, fácil de definir.

E agora?

Sou estrangeiro?

Em rodapé

Após contactos, cunhas e subornos, o Cocas está de novo no activo. Lá vos esperamos.

"Alguém falou! Ninguém está em segurança!"

sexta-feira, 27 de abril de 2007

É emoção à portuguesa concerteza!

Gosto de pisar chão firme! Na verdade, nada tenho contra alturas. A não ser aquela vertigenzita. Mas nada tenho contra andar de avião. Se esquecermos as terríveis dores de ouvidos… Agora, o que claramente não me atormenta é nadar longe da costa! Se bem que a água me congela os pés…

Mas o que realmente me aterroriza eleva-nos entre 5 a 50 milímetros do chão. Não brinco! Nunca brinco! Embora minta. Mas mentir é feio. Se bem que menti ao dizer que mentia. E menti de novo. [Mas que porcaria é esta?] E menti ao dizer que nunca brincava. Minto, de facto. E estou preocupado com a minha fase mentirosa… E menti de novo. Mas mais me preocupam os tapetes de arraiolos.

Concerteza nas voltas que a sua vida deu, foi parar a locais onde se questionou “Mas que porcaria é esta?”. Acabou de o fazer. Mas tal já tinha, suponho, acontecido antes. Provavelmente numa aldeia deste belo Portugal. Provavelmente na casa de um familiar idoso. Provavelmente na casa de um familiar idoso que mora na aldeia. Ou, muito provavelmente no estádio de Alvalade.

O que é certo, é que nas aldeias de Portugal, a revolta dos tapetes de arraiolos levam a que se consiga ter uma vida sempre activa. Quem consegue, no conforto do seu lar, sem ter o seu chão completamente coberto de carpetes e tapetes de arraiolos, deter novas e novas aventuras apenas por ir à casa de banho? Pessoas com dificuldades de locomoção! E reféns… Mas não é por acaso que falo em casa de banho. Este é um dos poucos espaços que ainda se mantém livres desta praga. Neles encontramos o abrigo para o descanso mental e físico.

Se não, reparem: A cor do chão sob aquelas camadas e camadas de arraiolos, que se acumulam ao longo de uma vida, deixa de ser lembrada. Questões a seu respeito se levantam! O que também se levanta são as pontas dos arraiolos. Bandidos! O que também se levanta é o braço contrário à narina afectada pela aparatosa queda causada pelo tropeção nos arraiolos. Bandidos! E, claramente se levanta a mão em direcção à testa quando nos salta da boca a frase “Para que é que há tantos arraiolos no chão?” com rudeza e má educação pelo meio. Mas isto é um blogue de prestígio. Aqui não se escrevem brejeirices! Pelo menos tão explicitamente…

Por tudo isto, antes de dormir imagino como seria se a minha casa fosse invadida por arraiolos… e como iria parar a hemorragia depois de cair de forma soberba contra uma esquina de uma porta… Emoção não faltaria…


Mas não, obrigado.

domingo, 22 de abril de 2007

“Quero mostrar o pêlo da perna!”

Anseio a altura do ano em que nada há para fazer. Anseio. A altura em que dizemos orgulhosamente e sem ponta de preocupaçao “Que seca… Não se faz nada…”. Anseio…

Não falo, porém, das tardes de domingo. Nessas dizemos raivosamente “Que nojo! Não dá nada de jeito na televisão!”. Não falo das aulas de economia. Aí a única coisa que nos passa, de tempos a tempos, pela cabeça é claramente “...”.
Falo, pois claro, do Verão. Anseio-o. Anseio as férias. Anseio o calor. Anseio dizer convictamente “Estou de calçonetes!”


Ou talvez não…


Claramente o que eu anseio não passa pelo facto de andar de calçonetes… Mas uma coisa magnífica a que assistimos em dias com máximas de 15 graus, mas no entanto sem nuvens, com o sol a brilhar sobre a geada matinal, quando ainda custa sair da cama quentinha, quando ainda bebemos algo quente pela manhã, quando lemos enumerações que não nos levam a lado nenhum, se bem que convictos que elas, de facto, nos levem a algum lado, quando, no fundo, há um dia de sol no inicio da primavera, em Portugal, há sempre o idiota que vem de calçoes para a rua.

Esses veraneantes assumidos que anseiam pelo verão para voltar a mostrar o pelo na perna são, invariavelmente um foco da minha atençao e curiosidade. A impaciência de tais seres devia, na minha opinião, ser alvo de estudo sobre a antitese mental do ser humano. A fraqueza em ceder aos impulsos da moda de verão, e a força mental em assumi-la quando o frio ainda nos deixa os dedos roxos!

É, sem dúvida, de enaltecer a forma como estes viventes tentam convencer-se, ao mesmo tempo que tentam convencer os que os rodeiam, quando recorrem ao cliché “Frio? Qual frio? Está alto sol!”. De facto, o sol está alto. Está. Mas não é precisamente por isso que não está calor? Se calhar… Mas que sei eu disso...? Nada… Continuo, ainda assim, a saber que é estupido andar de calções por ver o sol a brilhar. É pois! E sei que é estupido andar de corsários e meias, com raquetes. Ah pois é… E ainda pior é puxá-las até ao joelho! Ui!

Peço, então, que estejam atentos a este espécime que exibe, com orgulho, os seus calçonetes. E que lhe decorem a cara! Quando ainda fizer calor, vai ser o primeiro a aparecer de calças…

sábado, 21 de abril de 2007

Há um mundo para lá do Estore!

Sou parvo? [Provavelmente...] Apenas quem o é o admite. [Sem dúvida...] Apenas quem o é deixa morrer um sapo erudito... [?]

Depois de "Cocas, O Sapo Erudito" um "Estore Evaginante".

Só por este nome, a tese de eu ser parvo confirma-se. Só por este nome, vale a pena investigar um dicionário antes de tecer qualquer outro comentário. Só por este nome, e após consultar o dito dicionário, vale a pena mandar-me com ele.

Este é o meu novo espaço. Aqui vou desenvolver problemáticas que me atormentam. Aqui vou lançar questões que surgem na minha vida. Aqui vou partilhar um pouco da minha visão do que se passa por esse espaço fora. Vou lançar-me no mundo. Para lá do estore!

Saudações!